É preciso arrancar a alegria do futuro

É preciso arrancar a alegria do futuro

Ter contribuído com os primeiros passos da Política Nacional de Juventude iniciada no Governo Lula, é uma experiência inesquecível para todos que dela participaram. Sentir-se individual e coletivamente partícipe de um projeto político que vem mudando a face do Brasil é algo que temos que carregar com um orgulho somente inferior à responsabilidade de fazer com que este projeto seja democraticamente abraçado por todas e todos. Afinal, é para o conjunto da sociedade que se governa. Participar de um conselho de políticas públicas e fazê-lo influente, é transcender a governabilidade baseada na democracia representativa/parlamentar e exercitar cotidianamente a tão desejada governabilidade social.

Cada mandato do Conjuve tem a duração de dois anos, quando governo e sociedade civil alternam-se na presidência. Esta fórmula ajuda amalgamar uma prática, em que cada um “destes lados” seja permanentemente desafiado a buscar uma síntese necessária ao avanço das PPJ’s. É justamente pelo avanços reais que devemos avaliar nossa caminhada.

Jovens, mulheres, homens, especialistas, gestores, parlamentares, organizações não governamentais e movimentos sociais. Cada um, a seu modo, com níveis de responsabilidade e poder decisório diferenciados (é sempre bom que se diga) defendendo suas convicções e construindo de maneira republicana uma agenda conjunta de fortalecimento dos direitos da juventude e de transformação social. Tudo isto, sob o alicerce do respeito à diversidade social, cultural e política, inerente a este campo. Se uma fórmula existe para esta caminhada, penso que esta é não deixar para trás, nem subestimar, a força de cada uma das palavras ditas até aqui. E, acima de tudo, não se calar quando discurso e prática se distanciarem. Estamos tratando de um conselho ligado ao Poder Executivo Federal e é sobre as ações (ou omissões) muito mais que sobre intenções, que devemos nos manifestar.

Participei do Conjuve durante os seus seis primeiros anos e nele fui, de conselheiro suplente a Presidente (por duas vezes). Portanto, assim como a maioria de vocês que lêem este texto, me dediquei intensamente ao sucesso de cada uma das nossas iniciativas, assim como assumo minha cota de responsabilidade por cada objetivo não realizado. Aliás, sem o justo equilíbrio entre este dois extremos, dificilmente conseguiremos que o Conselho avance política e institucionalmente e consequentemente faça avançar uma agenda de direitos que vá além do necessários debates e exerça um impacto positivo no cotidiano dos 50 milhões de jovens brasileiros.

O meu último mandato como Presidente do Conjuve (2010) desenvolveu-se durante o último ano do Governo Lula, concomitantemente ao processo eleitoral que substituiu o primeiro operário pela primeira mulher na Presidência da República. Precisávamos ter uma agenda que extraísse o máximo possível das possibilidades do governo que se encerrava, e que ao mesmo tempo apontasse para um política de juventude com características de Política de Estado. Por isso, em abril de 2010, após reunião do Colegiado, o Editorial do Boletim do Conjuve “estampava” as seguinte prioridades:

“Nossos objetivos para este ano, que tem como particularidade a realização de eleições presidenciais, visam garantir continuidade e avanços na Política Nacional de Juventude. Queremos que esta política se consolide como uma política de Estado e com forte caráter participativo. Assim, a tramitação e aprovação dos marcos legais da juventude (PEC, Plano e Estatuto), a convocação da 2ª Conferência Nacional de Juventude para o primeiro semestre de 2011, o fortalecimento da rede de conselhos municipais e estaduais e a reedição do Pacto pela Juventude, nessas eleições, estão na ordem do dia. Além disso, o Conjuve produzirá um relatório com o balanço das iniciativas do Governo Federal no campo da juventude, no período de 2003 a 2010. Este diagnóstico, será a nossa contribuição ao novo governo empossado logo nos primeiros dias de 2011.”

Encerramos o ano de 2010 com a histórica aprovação e promulgação da Emenda Constitucional 65 (PEC da Juventude), a finalização do relatório do Estatuto da Juventude pela relatora Deputada Manuela D’Ávilla, a convocação da 2a Conferência de Juventude, em um ato com o Presidente Lula e a realização do 3o Encontro de Conselhos de Juventude, por todos elogiado.

Aprovamos e entregamos para Secretaria Nacional de Juventude, um documento destinado à equipe de transição da então Presidenta eleita, Dilma Rousseff. Este documento foi posteriormente aprimorado e publicado pelo Conjuve sob o título “Reflexões sobre a Política Nacional de Juventude”. 

Apesar de todos os esforços e atividades realizadas, temos que reconhecer que a iniciativa do Pacto pela Juventude, conjunto de propostas formuladas pelo Conjuve e encampado pela sociedade civil, enfrentou grande resistência e incompreensão por parte das campanhas presidenciais e obteve a assinatura/compromisso apenas da candidata Marina Silva. Tal fato, ilustra bem o longo caminho que temos a percorrer para colocarmos o tema juventude no centro da agenda política.

Por outro lado, eu e meu companheiro de gestão e Vice-Presidente, João Vidal, temos que no penitenciar de público por outra grande derrota: não termos organizado o futebol e churrasco com Presidente Lula, após um convite do próprio. Mas nada impede a próxima gestão do Conjuve retome esta intimidade presidencial e convide a Presidenta Dilma para praticar nosso esporte favorito: lutar por mais direitos da juventude.

Boa sorte e boa luta aos que chegam. Forte abraço aos que saem. Vida longa toda força ao Conjuve.

“Primeiro é preciso transformar a vida, para cantá-la em seguida. Para o júbilo o planeta está imaturo. É preciso arrancar alegria ao futuro. Nesta vida morrer não é difícil. O difícil é a vida e seu ofício.” Vladimir Maiakovsky

Danilo Moreira foi Secretário Adjunto da Secretaria Nacional de Juventude e Presidente do Conjuve em 2008 e 2010
http://www.registrojuventude.wordpress.com

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